A explorar o mundo dos corantes naturais: raízes de garança, casca de romã, pau-campeche e algumas flores de corantes fugitivos

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Sempre me interroguei como cores tão ricas e vibrantes eram obtidas historicamente nos têxteis. A resposta reside no incrível mundo da tinturaria de plantas. Embora os corantes sintéticos modernos tenham ganhado popularidade devido à sua conveniência e consistência, há algo verdadeiramente gratificante em extrair cores das plantas. Nesta publicação, gostaria de partilhar as minhas experiências com alguns corantes clássicos como raízes de garança, pó de casca de romã, pau-campeche e algumas flores de corante fugidio como a jacarandá.

 

Raízes de Garança: Vermelhos Ricos e Rosas Suaves 

Um dos corantes naturais mais antigos existentes, as raízes de garança têm sido usadas há séculos para alcançar uma impressionante gama de vermelhos e rosas. O corante é extraído das raízes da planta Rúbia Tinctorum e Rúbia Cordifolia, nativa da região do Mediterrâneo e de partes da Ásia. Para obter o corante, as raízes são secas, moídas e depois demolhadas em água. O banho de tintura resultante pode produzir uma variedade de tonalidades, desde o bordeaux profundo até aos delicados tons rosados. 



Pó de Casca de Romã: Amarelos Quentes e Castanhos Terrosos 

Os tons vibrantes da romã podem ser transferidos para os tecidos usando a casca, que normalmente é descartada como resíduo. O pó de casca de romã é criado secando e moendo a parte externa da fruta. Este material corante não só produz tons de amarelo quente e castanhos terrosos, como também é uma ótima fonte de taninos. Ao variar a concentração e os mordentes usados no processo de tintura, consegui alcançar uma ampla gama de tonalidades com este notável corante natural.


Pau-campeche: Roxos e Azuis Profundos 

O pau-campeche, derivado do cerne da árvore Haematoxylum campechianum, guarda o segredo para criar roxos e azuis profundos se sobretintos com a planta Indiqueiro. Este corante possui as suas intensas propriedades de cor desde os dias da civilização Maia. Lascas ou extrato de pau-campeche podem ser fervidos para criar um banho de tintura que tem uma incrível gama de cores, dependendo do nível de pH. Com a adição de vários mordentes, o pau-campeche pode render desde delicados tons de lavanda a ricos tons de índigo, tornando-o um corante favorito para trabalhar. 


Flores de Tintura Fugitiva Jacarandá: A Beleza da Impermanência 

No mundo dos corantes naturais, as cores fugitivas referem-se àquelas que são menos resistentes à luz ou propensas a desvanecer com o tempo. Algumas flores, como a jacarandá, enquadram-se nesta categoria. Embora as cores obtidas de flores de tintura fugitiva possam não resistir ao teste do tempo tão bem quanto outros corantes naturais, a sua beleza captura a essência da impermanência. Os delicados tons pastel produzidos por flores como a jacarandá recordam-nos a natureza transitória de todas as coisas.


A arte da tinturaria natural permite-nos conectar com a paleta da natureza e estudar a rica história das artes têxteis tradicionais. Trabalhar com a tinturaria de plantas abre um mundo de possibilidades, permitindo-nos criar cores únicas e amigas do ambiente. Publiquei algumas fotos dos meus ensaios aqui. Se quiser acompanhar as minhas experiências contínuas, pode seguir-me no instagram: https://instagram.com/aikgul?igshid=OGQ5ZDc2ODk2ZA==

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